A transformação digital na construção civil vai muito além da adoção de novos softwares. Antes de implementar um ERP, integrar sistemas ou investir em automação, é fundamental entender como a empresa funciona na prática.
É justamente nesse momento que o mapeamento de processos se torna um dos pilares para o sucesso de qualquer projeto de modernização. Veja o texto a seguir para entender melhor.
O mapeamento de processos consiste em identificar, documentar e analisar todas as etapas envolvidas nas atividades de uma organização. Na construção civil, isso significa:
O primeiro passo consiste em identificar todas as atividades realizadas pela empresa, desde a prospecção de clientes até a entrega final do empreendimento.
Esse levantamento deve envolver diferentes departamentos para garantir que nenhuma etapa importante seja esquecida.
Após documentar os processos, é necessário analisar onde ocorrem atrasos, aprovações excessivas, duplicidade de informações, controles paralelos e atividades que não agregam valor. Essa etapa costuma revelar oportunidades significativas de melhoria.
Cada colaborador deve seguir o mesmo fluxo operacional. Padronizar processos reduz erros, facilita treinamentos e melhora a qualidade das informações utilizadas pela gestão.
Depois que os processos estão organizados, torna-se possível criar indicadores (KPIs) para acompanhar produtividade, custos, prazos, consumo de materiais, desempenho financeiro e evolução das obras.
Esses dados ajudam a transformar a gestão em um processo orientado por informações confiáveis.
A automação deve ser consequência de processos bem estruturados. Quando fluxos já estão padronizados, tecnologias como ERP, BI, assinaturas eletrônicas e integrações conseguem entregar resultados muito mais consistentes.
Para mostrar como o mapeamento de processos pode ser útil, algumas estatísticas podem servir de apoio.
Segundo um estudo da McKinsey & Company, e a construção é um dos setores com menor evolução de produtividade nas últimas décadas, crescendo cerca de 1% ao ano, enquanto a economia mundial avançou aproximadamente 2,8% ao ano no mesmo período.
Esse cenário demonstra que existe uma oportunidade significativa para empresas que adotam práticas de organização, padronização e otimização de processos.
Além disso, um levantamento da Deloitte em parceria com a Autodesk mostrou que 62% dos dados coletados pelo setor não são utilizados para decisões de negócio, evidenciando a necessidade de processos mais estruturados
Ressaltando, todavia, que, de maneira a tornar o mapeamento o mais eficiente possível, é preciso evitar erros como:
Um erro bastante comum é documentar os processos da forma como eles deveriam acontecer, e não como realmente acontecem no dia a dia da construtora. Para que o mapeamento seja útil, porém, é essencial observar a rotina das equipes, identificar exceções e compreender os desafios enfrentados em cada etapa da operação.
Os profissionais que executam os processos diariamente possuem uma visão prática sobre gargalos, retrabalhos e oportunidades de melhoria. Logo, excluir essas equipes do levantamento pode resultar em um mapeamento incompleto e pouco aderente à realidade da empresa.
Os processos de uma construtora evoluem conforme novos empreendimentos, tecnologias e exigências legais surgem. Por isso, o mapeamento não deve ser encarado como um documento definitivo. Revisões periódicas garantem que ele continue alinhado à realidade da empresa e às mudanças do mercado.
O ERP é uma das principais ferramentas utilizadas para integrar informações dentro da construtora. Entretanto, seu desempenho depende diretamente da qualidade dos processos implantados.
Quando a empresa realiza um bom mapeamento antes da implantação, torna-se muito mais simples configurar regras, permissões, fluxos de aprovação e integrações entre departamentos.
Somando a esse ponto, o ERP passa a refletir exatamente a forma como a construtora opera, reduzindo adaptações futuras e aumentando a adesão dos colaboradores.
Embora sejam conceitos relacionados, o mapeamento de processos e a gestão de processos possuem objetivos diferentes dentro de uma organização.
O mapeamento de processos, como já citado, consiste na representação organizada e visual das etapas que compõem um fluxo de trabalho, identificando as atividades realizadas, os responsáveis por cada fase e os recursos necessários para sua execução. Já a gestão de processos envolve um trabalho contínuo de acompanhamento, melhoria e otimização dessas atividades.
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