Reforma tributária e o impacto na construção civil para 2026

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reforma tributária

16/01/2026

Sumário

A reforma tributária brasileira em 2026 representa uma transformação profunda no sistema de arrecadação do país. A partir desse período, inicia-se  a implementação de novos impostos e a substituição de tributos tradicionais.

Quer saber mais sobre o tema e como isso impacta na construção civil? Então leia o conteúdo a seguir.

Do ICMS/ISS ao IBS e CBS

A reforma tributária aprovada, por meio de Emenda Constitucional (EC) e regulamentações em fase de tramitação, define a substituição de tributos fragmentados por um sistema baseado em imposto único sobre bens e serviços, que incide sobre toda a cadeia produtiva com não cumulatividade plena, ou seja, permite a recuperação de créditos tributários ao longo das etapas produtivas.

O principal destaque é a criação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que se torna o principal tributo substituto do ICMS e ISS, e da CBS, que assume funções do PIS/Cofins. A transição começa oficialmente em 2026, marcando o início de um período gradual de adaptação que se estenderá até 2033, quando se espera que o novo sistema atinja plena vigência.

Impactos diretos no setor da construção civil

Dentre os principais impactos que essa mudança irá causar na construção civil é possível destacar os seguintes:

Mudança no cálculo da tributação e geração de créditos fiscais

Uma das maiores mudanças para o setor é a forma de apuração tributária por empreendimento. Isso significa que cada obra, incorporação ou loteamento passa a ter um cálculo tributário distinto, considerado como um centro de custo com enquadramento fiscal próprio.

Essa individualização exige maior precisão contábil, tecnologia de gestão e integração de dados entre obras, fornecedores e sistemas fiscais.

Exigência de controle fiscal e compliance robustos

Especialistas alertam que a nova estrutura de impostos exigirá controles fiscais mais eficientes e sofisticados, com sistemas capazes de lidar com a apuração por empreendimento, rastreamento completo dos créditos tributários e conformidade com múltiplas obrigações acessórias que serão introduzidas a partir de 2026.

Incertezas e necessidade de planejamento estratégico

Apesar de os objetivos da reforma serem a simplificação tributária e redução de litigiosidade, o cenário atual ainda apresenta pontos de incerteza, especialmente na regulamentação de regimes específicos para construção civil e habitação.

Essa indefinição demanda planejamento tributário antecipado e análise de impactos caso a caso.

Efeitos no mercado imobiliário e nos preços das obras

A reforma tributária vai além do impacto nas empresas; ela também influencia o mercado imobiliário como um todo.

Afinal, a tributação mais eficiente e a possibilidade de créditos fiscais podem, no médio e longo prazos, reduzir o custo de produção dos empreendimentos, refletindo em preços mais competitivos para o consumidor final.

No entanto, a transição pode gerar volatilidade nos preços de imóveis e atrasos em lançamentos, já que as construtoras precisam recalibrar seus modelos de precificação e revisar contratos com cláusulas tributárias, de financiamento e de repasse de custos, enquanto se adaptam ao novo regime

As oportunidades geradas na construção civil

Por meio desses impactos, novas oportunidades surgirão no setor, como:

Industrialização e inovação construtiva

Com a possibilidade de recuperar créditos sobre insumos e serviços, há um incentivo para industrialização da construção civil, com maior uso de métodos construtivos eficientes, como pré-fabricação e modularização.

Ganhos de produtividade e competitividade

Além do mais, com a nova formulação tributária reduzindo a cumulatividade dos tributos, será possível liberar capital de giro para investimentos em tecnologia, automação e processos digitais.

Logo, empresas que integrarem software de gestão fiscal, ERP e soluções de compliance tributário estarão em posição vantajosa para escalar operações sem comprometer margens.

Impacto positivo no PIB setorial

Estudos já apontam que a reforma pode elevar significativamente o PIB da construção civil ao longo dos próximos anos, com estimativas chegando a quase 19,5% de crescimento em 15 anos, principalmente devido à maior eficiência produtiva.

Incentivo à digitalização e integração de sistemas

A necessidade de controles fiscais mais precisos e a apuração tributária por empreendimento pode fazer com que empresas adotem soluções digitais integradas, como ERP, softwares de gestão de obras e sistemas de compliance tributário.  Isso não só melhora a eficiência operacional, mas também fortalece a capacidade de planejamento estratégico.

Construções mais sustentáveis

Por fim, uma última oportunidade que vale a pena mencionar é o incentivo à modernização dos modelos de negócio e à adoção de práticas sustentáveis e produtivas.

Especialistas destacam que às empresas do setor podem repensar suas metodologias, incorporando práticas mais eficientes

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